Como proteger seus investimentos da polarização política

(Foto: Rafaela Biazi)

Antes de mais nada, vale sempre o aviso: não estou aqui para falar de política, defender candidato A ou B, estou aqui para falar de investimentos, como o tema em questão pode afetar o mercado e, consequentemente, o seu bolso.

Aqui trataremos somente de fatos e o que eles podem ou não representar, e como nos proteger diante de incertezas. 

E se algo pairava no ar antes do dia 7 de setembro de 2021, era a sensação de incerteza em todos os brasileiros.

Para os simpatizantes do Presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a data emblemática foi momento de enfatizar o apoio, além de endossar o discurso do chefe do Executivo sobre temas como voto impresso e seu embate com o Supremo Tribunal Federal (STF) – onde acusa o ministro Alexandre de Moraes de desrespeitar a Constituição. O ministro é relator de 04 (quatro) inquéritos contra o presidente.

Por outro lado, opositores ao governo Bolsonaro também foram às ruas protestar, tendo como pauta principal a forma como o presidente geriu a pandemia do coronavírus, onde o Brasil já se aproxima da trágica marca de 600 mil mortos, além de pautas como a insatisfação com o aumento de preços, desemprego, etc.

Ou seja, se há uma certeza é a de que a eleição de 2022 será ainda mais polarizada do que a anterior.

Vimos situação parecida acontecer nos Estados Unidos no ano passado, nas eleições presidenciais de 2020, quando a disputa acirrada entre o republicano Donald Trump e o democrata Joe Biden aumentou a volatilidade dos futuros do índice da Chicago Board Options Exchange (CBOE), a maior bolsa de opções dos EUA. Conhecido como ‘medidor de medo’ de Wall Street, a volatilidade do VIX (índice de volatilidade da CBOE) chegou a triplicar se comparada aos níveis apresentados nas eleições anteriores, em 2012 e 2016.

Aqui no Brasil, a expectativa é parecida. De acordo com a pesquisa “Latam Fund Manager Survey”, divulgada em julho desse ano pelo Bank of America, cerca de 30% dos gestores já colocam o cenário eleitoral brasileiro como um dos principais riscos a serem monitorados na região.

O levantamento foi realizado com 32 gestores da América Latina, responsáveis por cerca de US$ 53 bilhões em ativos sob gestão.

Volatilidade não é sinônimo de insegurança

Gostaria de ressaltar que, ao tratar sobre o aumento da volatilidade no mercado de ações e futuros em razão da alta carga de incerteza que um período eleitoral pode trazer, isso não quer dizer que há um aumento na insegurança de um ativo.

Ou seja, não se deve confundir volatilidade com insegurança. Há uma série de empresas que apresentam, simultaneamente, muito valor e muita volatilidade, e não são, necessariamente, investimentos ‘inseguros’.

A volatilidade tratada aqui diz respeito a um aumento considerável em seus respectivos índices, fora dos padrões historicamente apresentados.

E o que fazer para se proteger?

Ora, se períodos eleitorais aumentam a volatilidade do mercado de ações, devemos resgatar todas as nossas aplicações e ‘correr’ para ativos livres de risco imediatamente? Não é bem assim.

Com relação às posições mais afetadas pela volatilidade eleitoral, sendo neste caso os investimentos em bolsa e o câmbio, é preciso ter cautela, respeitando critérios de rebalanceamento estabelecidos por você mesmo ou por seu assessor de investimentos ou consultor financeiro.

Se você possui metas de longo prazo, seu horizonte de tempo permite suportar uma volatilidade maior, preservando, assim, sua posição, uma vez que, com a diminuição das incertezas pós-eleição, desde que não haja uma mudança abrupta na saúde das contas públicas, política monetária e agenda de reformas, o mercado se ajustará ao novo cenário, e assim farão os seus investimentos.

Mas se você apresenta incertezas pessoais no seu próprio horizonte de tempo, é interessante possuir certa concentração em renda fixa com alta liquidez, ao menos até tomar uma decisão sobre esse aspecto em particular de seus investimentos.

Investir através de Fundos de Ações, seja no Brasil ou no exterior, é uma excelente forma de não ter ‘dores de cabeça’ nesse sentido. Através dos fundos, você delega a um gestor a função de gerir seus investimentos e de tomar decisões de acordo com cada conjuntura apresentada pelo mercado.

Ao selecionar um bom fundo, gerido por uma equipe com experiência de mercado e expertise, é muito provável que a incerteza política não seja um desafio tão grande assim para o seu portfólio suportar.

A diversificação global com investimentos em ativos no exterior é um grande aliado de proteção para o seu portfólio em momentos de crises ou incertezas em nosso país. Apesar do valor atual do dólar comercial, cotado a cerca de R$ 5,32, esperar a moeda americana baixar é uma péssima ideia, conforme escrevi anteriormente.

Investir globalmente te dará acesso a ações de empresas excelentes, que nada têm a ver com a polarização política brasileira, não sendo afetadas por ela, com o ‘bônus’ da proteção cambial em caso de desvalorização da moeda local.

Time in the market vs. Market Timing

Por fim, a humildade perante ao mercado é algo a se cultivar, com ou sem volatilidade. Não tente ser o mais esperto do mercado, prevendo os melhores momentos de entrada ou de saída na bolsa. É mais importante se manter investido no mercado no longo prazo do que realizar esse exercício de futurologia, tentando prever quando exatamente a bolsa irá despencar ou decolar.

“It’s time in the market, not timing the market”

Keith Banks, vice-chairman do Bank of America.

Em tradução livre: ‘é mais importante se manter no mercado do que acertar quando entrar ou sair dele.


Arthur Stuart é formado em Direito, sócio-fundador do Grupo SG e Assessor de Investimentos e Correspondente Cambial, atuando no mercado financeiro desde 2019.

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Arthur Stuart é sócio-fundador do Grupo SG, Assessor de Investimentos certificado pela ANCORD e Correspondente Cambial, atuando no mercado financeiro desde 2019.

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