O fotógrafo alagoano por trás da nova campanha da liga francesa de futebol

(Fotos: Paulo Accioly/Ligue 1)

Paulo Accioly fez direção criativa da campanha no Brasil, em parceria com ONGs.

Sem dúvidas, a ida de Neymar para o Paris Saint-Germain (PSG) colocou o campeonato francês no radar dos brasileiros apaixonados por futebol.

E para fortalecer ainda mais a imagem da Ligue 1 em solo canarinho e divulgar a temporada 2021/2022, o torneio lançou, no último mês de agosto, uma campanha global exaltando a conexão Brasil-França, com assinatura criativa do artista visual alagoano Paulo Accioly.

A ideia era mostrar o talento, futebol e estilo de vida dos dois povos, além de trabalhar com entidades que desenvolvessem trabalhos de cunho social.

Para o projeto, foram produzidas fotografias e vídeos de jovens das ONGs Onda Solidária e Analog Football, no Rio de Janeiro e em Paris, vestindo as novas camisas dos 20 clubes da primeira divisão da liga francesa.

Paulo foi o artista responsável por todas as fotos feitas no Brasil, e deu seu toque à campanha explorando uma de suas especialidades: a colagem.

Em uma quadra esportiva com 319m2, na cidade de Santana do Deserto, interior de Minas Gerais, o artista conseguiu reproduzir em grande escala algumas fotografias da campanha.

“Os franceses queriam algo leve, que mostrasse a relação das crianças com o esporte. Como foi feita no piso da quadra de futebol, pensamos em colocar as crianças contemplando o céu”, explica.

Ideia foi reproduzir jovens olhando para o céu; colagem preencheu área de 319m2 (Foto: Gabriel Rousseau)

As redes sociais foram a principal plataforma de divulgação da campanha, além da imprensa na França e em países de língua portuguesa e inglesa.

Trajetória

O trabalho desenvolvido para o campeonato francês foi a primeira grande assinatura do alagoano junto a marcas. Com uma carreira jovem, mas bastante promissora, Paulo tem como principal referência o artista urbano francês JR.

Após concluir a faculdade de engenharia ambiental e reunir em um livro as fotografias analógicas que tirava sem pretensão, Paulo foi convidado, em 2020, para estudar Arte e Imagem em Paris, tendo JR como mentor.

Paulo usa as colagens em grande escala para contar e amplificar histórias.

“Na França, eu estudei com o JR, um dos maiores artistas visuais do mundo. Ele é conhecido pelas colagens gigantes pelo mundo e nos passava a vivência dele, apresentava o mercado. Foram 6 meses desenvolvendo projetos, lançando exposições, livros. Foi uma loucura”, conta Accioly.

E o convite para trabalhar com a Ligue 1 surgiu justamente de um contato feito durante a última exposição de Paulo em Paris. “No último dia, um dos espectadores conversou comigo e falou que tinha um projeto de fotografia analógica e esporte. Voltei para o Brasil e, um ano depois, ele foi convidado para tocar uns projetos na França para a Ligue 1. E aí, surgiu essa oportunidade de fazer a campanha no Brasil e ele perguntou se eu queria fazer”, relembra.

De volta a Maceió, Paulo usou a experiência adquirida na França para dar vida ao projeto A gente foi feliz aqui, que espalha, pelas paredes dos imóveis que restaram no bairro do Pinheiro, colagens em tamanho real dos moradores que viviam na região e tiveram de se mudar devido ao afundamento do solo causado pela Braskem.

Através de colagens, intervenção urbana quer perpetuar a memória coletiva do bairro Pinheiro. (Foto Paulo Accioly)

Para Paulo, a colagem é uma técnica acessível e capaz de amplificar histórias. “A colagem vem de uma forma muito massa pra mim porque é uma arte que eu consigo fazer, e que é barata. Eu posso não ser o melhor fotógrafo do mundo, mas JR me fez entender que muito maior que a foto que ele tira, é a história que ele conta”, explica.

Vivendo de arte

Por trabalhar com arte, Paulo encarou um dos principais dilemas da área: é possível viver de arte?

“Ao trabalhar com marcas, entendi que consigo mesclar o que eu acredito como artista com o que eu posso fazer como comissionado. Esse primeiro projeto [com a Ligue 1] foi super massa, tive pouca liberdade criativa, mas já fui convidado para fazer um segundo trabalho grande, onde vou fazer produção, direção, com artistas e jovens alagoanos”, revela.

Além da visibilidade que conquistou ao organizar uma campanha internacional, a experiência do projeto fez com que o alagoano compreendesse a força cultural e artística de Alagoas e do Brasil.

“Maceió, Alagoas, Nordeste e Brasil têm profissionais extremamente competentes, que sabem fazer melhor que muito gringo por aí. Podemos tomar a narrativa pra gente, e fazer as coisas acontecerem. Temos que nos preparar, estudar, conhecer gente de fora, trocar ideia, fazer projeto colaborativo, e entender nosso potencial, nossas forças e qualidades”, conclui o artista.

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